Organizações reagem a anúncio de Lasso sobre redução do preço dos combustíveis: "não basta"

Elas reconhecem, porém, que "a luta está dando frutos" e anunciam novas mobilizações. (Foto: LUISA GONZALEZ/REUTERS)

Porto Velho, RO - ARN - O presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou neste domingo (26) uma redução de dez centavos por galão na gasolina extra e Ecopaís, bem como no diesel, já que, como explicou, o preço do combustível “tornou-se a pedra angular” da greve por tempo indeterminado organizada pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que começou há quase duas semanas.

Poucas horas após o anúncio, que ocorreu enquanto a Assembleia Nacional discutia a destituição do presidente ou sua permanência no cargo, os dirigentes das principais organizações mobilizadas há 15 dias (Conaie, Fenocin e Feine) emitiram um comunicado para responder ao anúncio de Lasso.

Entre outras coisas, eles apontam que é uma "decisão insuficiente, sem garantias e que não é compatível com a situação de pobreza" que vivem milhares de equatorianos. "Não basta, é insensível", salientam.

Em todo o caso, o comunicado reconhece que “a luta está a dar frutos” e ratifica que o governo “sempre teve nas mãos respostas aos 10 pontos da agenda mas não tem vontade política para dialogar e resolver.

"A nossa luta não para, nem o direito de resistência e protesto", acrescentam no documento, anunciando que vão continuar a analisar o alcance dos anúncios de Lasso "com as nossas bases para definir o caminho a seguir", acrescentam. as três organizações equatorianas.

Os protestos começaram há duas semanas e resultaram em centenas de feridos, cinco mortes e várias denúncias de violações de direitos humanos. A Assembleia Nacional não terminou de debater a moção de impeachment de Lasso. O presidente da Assembleia, Virgílio Saquicela, anunciou durante a madrugada que a sessão será retomada na terça-feira (28) às 11h.

A corrente de Lasso

No seu discurso, Lasso considerou que nestes 14 dias de manifestações o país foi vítima de "múltiplos actos de barbárie e sabotagem" e sublinhou que nenhum deles "ficará impune", pois todos serão levados à justiça. "Vamos fazer imediatamente as respectivas denúncias ao Ministério Público para que estes criminosos respondam perante a lei", comentou.

Sobre as ações nas ruas, o presidente disse que, para aqueles que continuarem a exercer a violência, a polícia e as Forças Armadas atuarão “através do uso progressivo da força para restabelecer a ordem e devolver aos cidadãos a tranquilidade”.

“Os equatorianos que buscam o diálogo encontrarão um governo de mão estendida, aqueles que buscam o caos, a violência e o terrorismo, toda a força da lei. Nós equatorianos devemos voltar à normalidade, devemos, com otimismo e fé, retornar ao caminho do progresso para todos”, concluiu.

Desde segunda-feira (13) os manifestantes no Equador protestam contra o alto preço dos produtos de primeira necessidade, a precariedade dos hospitais públicos, os preços dos combustíveis, a ausência de créditos para promover a produção, a atenção ao setor agrícola e a privatização de empresas públicas, entre outros. Surgiu da mão da Conaie e de outros 53 grupos, que entenderam que o povo "deveria se levantar depois de esgotadas as instâncias de diálogo com o governo".

Neste domingo, o parlamento equatoriano continua a debater uma moção apresentada pelo partido de oposição União pela Esperança (UNES), liderado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), que propõe o afastamento do presidente devido à grave crise política e social agitação.

Fonte: Brasil247

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